agosto 20, 2013

Zero Dioptrias

Tu estás para mim como as lentes de contacto estão para os meus olhos: para onde eles se dirigem, elas os acompanham, ajudam-me a ver melhor, principalmente ao longe... E fazem-me sentir mais bonita...

agosto 18, 2013

Crer É Poder

Deixa-me querer-te...
E deixa-me querer querer-te...
Deixa-me querer que me queiras
E crer que não queres mais ninguém...

E deixa-me crer
Que tu crês em nós...

agosto 06, 2013

É Porque

É porque mais ninguém conhece poemas.
É porque mais ninguém me activa a área cerebral ligada à experimentação da felicidade suprema permitida ao ser humano.
É porque mais ninguém se ri assim, ou fala assim.
É porque mais ninguém possui esse grau específico de temperatura corporal tão necessária ao sustento da minha.
É porque mais ninguém se sente e me sente assim dessa forma.
É porque mais ninguém anda fora da caixa, contra a multidão, vendo enquanto outros apenas olham.
É porque mais ninguém se expressa, se rasga, se reconstrói.
É porque mais ninguém é sensatamente louco.
É porque mais ninguém é isto, aquilo ou aqueloutro.
É porque mais ninguém é tudo.

É porque mais ninguém é como tu.

agosto 05, 2013

Assim Seja

... E passado cerca de um ano ou mais partilhando o mesmo tecto, cama e mesa, que consigamos sempre nos redescobrir um ao outro e encontrar algo de novo que nos faça voltar a apaixonarmo-nos e a reviver tudo do início...

Todos os dias.

agosto 04, 2013

Voz

Pensa na tua canção preferida.

Separa a letra da música.

Sem a música, a letra é apenas um texto repetitivo...

Sem a letra, a música não passa de meras batidas...

É a junção das duas coisas, através da voz, que faz dessa canção uma canção do caraças.

Por isso é que nós dois devemos formar uma voz.

julho 31, 2013

Dou Por Mim

Dou por mim a querer acordar esperando que o meu despertador seja o timbre da tua voz acompanhado pela melodia dos teus dedos. Dou por mim a percorrer com o meu nariz o lençol que te cobre, a almofada onde depositas sonhos por viver e pensamentos verbalizados. Dou por mim a admirar as tuas longas pestanas, desde a raiz até às pontas. E sendo pontas soltas a formar a minha vida neste momento, dou por ti a ligá-las sem dares conta, e a formares com ela uma malha perfeitamente tecelada e impossível de desfiar.

Dou por mim a explorar a interessante mistura de cinzento com castanho que rodeia as tuas pupilas. E a desejar alimentar-me constantemente delas, e da tua pele quente, que bate aos pontos qualquer lençol macio. Dou por mim a não me querer cansar nunca de ti. E a querer mais chegadas do que partidas, ainda que atabalhoadas. E a não querer falar demasiado do que me leva a escrever tudo isto, porque desde o momento em que o dissemos um ao outro, tudo foi dito. É na cumplicidade do silêncio que ambos nos entendemos.

Dou por mim a sentir que te conheço há anos. Que os relógios passam a a ser objectos completamente inúteis perante a tua presença. Dou por mim a querer sentir-te mais e mais, e ainda assim saber tão a pouco... O pouco com o qual se faz muito...

Dou por mim a amar-te. Só isso.

julho 25, 2013

Barca

Tu és Capitão Romance
Navegando nessa barca
Querendo que ela avance
Para onde a bússola marca

Mas não, não é o Norte
A guiar-te entre o azul
Pois que haja vento forte
Que te leve até ao Sul!

julho 24, 2013

Surely

Still loving you too
But not in the way I'm supposed to...
I want it somehow!
Surely later... Not now!

julho 23, 2013

Mitologia

N., o Filho da Nuvem...
Centauro Invicto, Destruidor de Raios Élficos
Que não iluminam... Queimam!
Guardião de tesouros cor de ruby...
Excelso portador de concentrado de analgesia
Auricular e ventricular...
Exímio guerreiro que se move
Por entre terras sagradas da Mãe Gaia...

Salvé!

julho 22, 2013

Enologia

C., Especial Reserva 1969.
Cor intensa, textura forte.
Sabor encorpado, que perdura na boca, trazendo consigo o saber do tempo...
Um néctar maduro, a ser consumido sem moderação... 
Volume alcoólico docemente embriagante...
Se Baco fosse mulher, ela o elevaria ao estatuto de Elixir do Prazer Eterno... E nenhuma outra bebida seria permitida no Olimpo...
Vénus enlouqueceria de êxtase com apenas um pequeno cálice...
Seria a água onde ninfas se banhariam...
Até que uma só gota cairia na Terra... Em mim..
Fazendo-me ascender, roubar-te, provar-te e ficar para sempre tua cativa...

À nossa!

julho 21, 2013

Fiança

Querido Futuro

Espero que te encontres bem.

Escrevo-te directamente do Presente. Aproveitei um momento em que ninguém me estava a observar, surripiei um papel e uma caneta... E eis-me a redigir esta carta. Prometo ser-te breve e concisa. Também não quero ser apanhada.

Estou aqui presa, como sabes. Não te consigo precisar há quanto tempo, mas tenho noção que é o tempo suficiente para concluir que não estou bem. Não tenho cuidado de mim ultimamente; confesso que não tenho tido forças para isso. Olho para o espelho e dificilmente me reconheço. Sinto-me envelhecida, disforme, pesada. Vejo o meu cabelo quebradiço, um rosto que está a perder vida... Sofri recentemente uma entorse no pé e, apesar de já ter saído do período de convalescença, não creio que esteja totalmente recuperado. Tem um aspecto feio... Para piorar, há uma dor de dentes que me anda a atormentar...

Como já te apercebeste, o panorama não é nada bom. E todos os dias, a situação se repete: acordo, saio da cela, tomo a primeira refeição do dia, cumpro com as tarefas estipuladas, chega a pausa para almoço, volto às tarefas, pausa para jantar e regresso à cela. A rotina é a mesma de sempre, mecanizada. As tarefas são as mesmas de sempre, as pessoas ao meu redor são as mesmas de sempre. Já para não falar da comida... O meu organismo fica intoxicado, conspurcado com tanta porcaria. Se eu já não a saboreava com prazer, agora com a dor de dentes, muito menos... E nem um protesto me é permitido. Ai de mim que reclame!...

A minha cela vai-se tornando cada vez mais pequena, e o ar cada vez mais viciado e irrespirável. Não tenho companhia, ou ao menos um calendário para ir riscando. Não cheguei a trazer fotos para aqui. Mas trouxe memórias, o que basicamente vai dar ao mesmo, com a diferença de que não são palpáveis. Raras são as vezes em que recebo visitas... Já não suporto estar aqui dentro. Aliás, eu nem sequer suporto estar dentro de mim...

Prometi no início desta carta que te seria breve e concisa. Portanto, não querendo tomar muito mais do teu tempo, deixa-me ir directa ao assunto.

Sei que vais achar isto uma loucura... Mas preciso que me pagues a fiança o mais rapidamente possível. És o único que a poderás pagar. Infelizmente, não estou autorizada a sair em precária. Também não me interessam liberdades condicionais. Quero sair com a plena certeza de que, faça o que fizer (e não farei nada de mal, para que conste, muito pelo contrário), não voltarei a este lugar. Esta cadeia é horrível, acredita!... E eu não mereço cumprir esta pena. Eu não matei ninguém, eu não roubei. Fui injustamente condenada...

Por favor, Futuro... Chega mais cedo. Peço-te! Ajuda-me, porque não aguento mais! Dá-me um sinal... Liberta-me! Estou dependente de ti... E há alguém que também o está... Alguém que está lá fora, à minha espera.

Um beijo

Dina

julho 18, 2013

"Amo-te, Foda-se!" - A Teoria

O termo "foda-se" é uma interjeição de carácter comummente ofensivo, mas que neste contexto surge como um elemento verbal que reforça o sentimento expresso na dita declaração. Ou seja, tem como por objectivo enfatizar o conceito emocional que se pretende declarar, passando do carácter ofensivo para o carácter expansivo. Isto porque o conceito emocional expresso - vulgo "amor" - é por si só dotado de uma dimensão que dificilmente consegue ultrapassar barreiras físicas, neste caso corporais, tendo em conta que a componente física na qual ele é gerado - o coração - é um pequeno músculo. O termo "foda-se" auxilia portanto este pequeno músculo, através da linguagem processada pelo cérebro, a manifestar-se para além de todas as barreiras que possam existir, fazendo inclusive uma espécie de parceria com a componente não-material - vulgo "alma" - que se alimenta do conceito emocional mencionado supra.