Toma este fogo tão meu
Que me brota do coração
Para incendiar o teu
E queimá-lo de paixão...
setembro 05, 2017
setembro 04, 2017
Conto
Era uma vez o Caos
Que casou com a Anarquia
Conceberam o Pânico
E viveram temidos para sempre.
Que casou com a Anarquia
Conceberam o Pânico
E viveram temidos para sempre.
setembro 02, 2017
Nostalgia
Já era noite cerrada quando ela saiu do edifício onde passara as últimas oito horas do seu dia. Noite cerrada e frio, um frio de rachar e chuviscos que a faziam precipitar-se a passos largos para as escadas que haviam de abrigá-la, ela com um parco capuz, desprotegida, a caminhar em direcção a mais uma carruagem. Tudo lhe sabia a cansaço naquele momento. Mas sabia que nos olhos dele havia sempre Verão.
setembro 01, 2017
Bocados
Apetece-me escrever, como há muito não fazia. Não me lembro da última vez que escrevi algo, contudo lembro-me que aquele papel onde despejei sinceros desabafos acabou desfeito em bocados. Guardei-os na minha gaveta, à espera que um dia se reconciliassem uns com os outros. Mas não. Devem ser como eu, que quando não gosto de algo ou esse algo não interessa, pura e simplesmente ignoro. Foi isso que aconteceu. Os bocados ignoraram-se uns aos outros, até chegarem ao ponto em que realmente não estavam a fazer nada na minha gaveta e foram para o lixo. E lá foi um texto com o caraças.
Ou foi isso, ou então quem realmente ignorou o que quer que seja foi quem os concebeu. Os bocados de papel, entenda-se.
Talvez eu também deva ignorar mais vezes. Mas sem ser ignorante.
agosto 23, 2017
Citação
Houve alguém que um dia me disse que isso de
deixar no mundo a nossa marca é treta… Que temos de deixar é a nossa marca nos
corações das pessoas.
Acredito que no fundo
vai dar ao mesmo.
agosto 21, 2017
O Céu
A casa tem janelas muito grandes, e isso é bom... Sempre
tenho mais céu para olhar. Mas ainda que fossem pequenas, não havia mal, porque
o céu está todo na minha cabeça.
janeiro 20, 2017
Devagar
Os dias são todos iguais. Sei que o amanhã vai ser hoje. A chuva bate sempre da mesma maneira.
Quando há sol, rendo-me à luminoterapia: sento-me à frente dele e temos uma conversa sem palavras, dentro das minhas quatro paredes, que é para ninguém ouvir.
O sono vai-me fazendo a companhia necessária. As vontades, essas hibernam, tão ferradas que não as consigo acordar!...
No resto do que se vive está um frio de cortar o corpo.
Migalhas que não duram para o pão.
Gente constantemente inconstante.
Aqui morre-se devagar.
outubro 21, 2016
Que Dia É Hoje?
Sabes que dia é hoje?
É aquele em que se diz
Que os olhos são o espelho da alma...
A ser verdade, os meus estão partidos.
É o dia em que penso na conta que já perdi
Às quantas vezes te delineei com eles inteiros
E nunca a anterior foi tão bela quanto a próxima.
É aquele dia em que o silêncio se torna ouro
E eu carrego em dígitos na esperança de ouvir o teu
Enquanto arranjo palavras que o possam roubar.
No fundo, é dia de ser dia igual aos outros...
Sabes que dia é hoje?
É mais um dia em que te sinto a falta.
agosto 01, 2016
Corda
Como uma corda
Que se estira, que se estende
Onde se pregam os retalhos do ontem
Leves e completos e belos
Linho que se fiou entre os nossos olhos
Entre o nosso silêncio
Daquele que não se diz por dizer.
E suporta a corda igualmente
Os trapos rasgados
De marcas tão entranhadas
Quanto são prova do esforço
Rompido entre o desânimo e a cólera.
Como uma corda onde se fixa a roupa
Que se nos cola ao corpo da alma
No momento do agora
Ora brilhante, ora fosca.
Amanhã se arranjarão mais molas
Para uma corda que se estira, que se estende
E não parte.
março 15, 2016
As Histórias de Amor
As histórias que se dizem de amor não são perfeitas. Aliás, as verdadeiras são aquelas que não são perfeitas. Não se ilustram com capas de revistas nem com as dos livros do Nicholas Sparks. As histórias às quais se pode chamar de amor têm ramelas e maquilhagem esborratada às 3 da manhã. Vestem-se com aquele pijama larguíssimo de tão velho, mas tão confortável e não deixam de ser grandes histórias. Nelas há o “vai-te foder, mas antes disso beija-me” e não há melhor abrigo contra o frio, a chuva e o medo do que a curva que vai desde o pescoço até ao ombro do(a) co-autor(a). Nelas também se chora, escorregando as costas contra a parede até ao chão frio da cozinha… Fílmico? Não, histórico! E há nódoas de ketchup ou de mostarda ou de maionese nos cantos da boca, prontamente eliminadas com um guardanapo em forma de lábios… Fazem-se com palavras desligadas e sons despertos, com água a correr e terra entre os dedos. Cheiram a álcool, a tabaco, a colónia, a roupa lavada, a sexo. As histórias de amor escrevem-se com céu e inferno… Tatuam-se com sangue por dentro. E nunca há tinta que chegue para as registar como deve ser nas folhas do tempo.
fevereiro 24, 2016
Três
Quero amar-te sempre e tanto e ser-te amada mais ainda
Fazer da arte toda a vida já que vives nela e ela te vive em cada traço
Olhar-me ao teu espelho e dizer: "quanto prazer em conhecer-me!"
fevereiro 13, 2016
Flashback
Enquanto oiço música no jardim,
enquanto queimo tempo.
Aquela que fala em jogos de
vídeo, em que o vídeo é um conjunto de retalhos, de flashbacks.
E também faço os flashbacks na
minha cabeça.
A ponte, o que se vê através
dela, o jardim de sol, pavões e onde se joga vólei. Teatro e dança a nu, o
levantar da mesa para um beijo, a objectiva a captar fulgores. As conversas de
circo, as tertúlias e as ousadias. O olhar para mim, o calorzinho bom, a nicotina
pensativa, o contorno do ombro. Eu sei lá que mais.
Por acaso até sei e não sou a única.
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