novembro 19, 2012

Receita Infalível II

Peguei num kg de amizade pura, juntei-lhe 3 chávenas bem cheias de carinho, misturei tudo com um punhado de apoio e força, moldei em forma de beijo grande e levei ao forno do coração... Espero que disfrutes da receita!

novembro 03, 2012

Olhei

Olhei para trás e vi angústia...
Olhei para o lado e vi indiferença...
Olhei para cima e vi decepção...
Olhei para baixo e vi cansaço...
Olhei para a frente...
E vi-te.

agosto 12, 2012

Enquanto Dormes

Um suspiro contido ferve dentro do meu peito. Ao ver-te assim tão frágil, tão sensível perante as crueldades que a vida te aprontou, mas espero que ela não as cometa mais.
Descansas embalado num sono profundo. Os teus dedos mexem. A respiração, de vez em quando, acelera. Enquanto que a minha se sustém. Pensando que talvez esse sono profundo seja um dos últimos que presenciarei. Mas achas que eu quero? Eu não quero! Eu juro que não quero, por mais absurdo que isso te possa parecer agora. Não agora, em que prossegues a tua viagem secreta, e que eu acompanho de longe. Ou de perto, e mesmo assim não consigo obter informação suficiente sobre o itinerário. Nem me apetece incomodar-te com isso.
Escrevo assim, de rajada, enquanto dormes. E o suspiro contido ainda cá mora. Porque umas das tais crueldades, é minha.

julho 02, 2012

Untitled

Nobody’s looking, so I can cry
Nobody cares, so I can bleed
I don’t care, I’m not shy
But do they know that I’m in need?

junho 28, 2012

Interrogação

Pergunto-me se algum dia
Voltarei a falar contigo
Pergunto-me se algum dia
Voltarás a ser um amigo.

Pergunto se não podias
Ter sido mais do que isso...
E pergunto àqueles dias
Porque se quebrou o feitiço...

Pergunto, interrogo, indago
O passado incontornável.
É nele que hoje divago
E lhe chamo memorável.

Deleito-me no seu trono
Onde tudo se torna bruma
Vendo bem, eu questiono
O porquê de coisa nenhuma.

junho 19, 2012

Génese

Já que está a ser difícil conversar contigo porque andas sempre ocupado, espero que arranjes um bocadinho de tempo para ler isto. Foi a única maneira que arranjei para desabafar e tirar um peso do peito. E lá no fundo para mim é mais fácil exprimir-me a escrever do que a falar...

O que se passa é o seguinte: eu tenho namorado, gosto muito dele, mas ultimamente tenho pensado em ti de outra forma... Como tu disseste, qualquer pessoa pode cair em tentação mesmo que tenha um compromisso com alguém...

O que me levou a cair em tentação em relação a ti foi o facto de tu, ao longo do tempo, teres tido um comportamento em relação a mim que eu gostava que o X tivesse: atencioso, carinhoso... De vez em quando mandas uns piropos... E és sincero no que dizes. O X também era assim ao início, mas agora está diferente. A nossa relação já não tem aquela emoção que tinha, percebes? Eu não deixei de gostar dele, mas... Por outro lado sinto falta de ter alguém como tu ao meu lado... Alguém mais maduro, que me faça sentir bem e que dê valor àquilo que sou, porque tenho muito a tendência de me inferiorizar a mim própria e de às vezes sentir que estou a mais na vida dos outros...

Não estou a dizer que estou apaixonada por ti ou algo do género, mas também não sei definir o que sinto... Talvez seja apenas uma atracção física, ou um carinho especial, fora do normal... No fundo é uma necessidade de proteger-te, de não deixar que ninguém te magoe, de passar bons momentos contigo... Em certa altura pensei que também sentisses o mesmo em relação a mim, e que aos poucos estivesses a esquecer a Y... Que coisa estúpida, não é? Interpretei as coisas de uma maneira errada, principalmente depois daquela conversa nocturna que tivemos por mensagens...De tu dizeres que me achavas especial e atraente, depois tiveste aquele deslize inesperado (desculpa ter-te estragado o momento lol)... Comecei a fazer um filme na minha cabeça que não correspondia à realidade... A culpa é da carência... Mas sinceramente gostava que me respondesses a esta pergunta: alguma vez pensaste em cair em tentação comigo, mesmo gostando ainda da Y? Disseste que não querias cair... Mas achas que caías? E se o X não existisse? Desculpa se estou a ser muito convencida...

Agora que já disse o que tinha a dizer, a única coisa que eu quero é ultrapassar esta fase de confusão e que continuemos a darmo-nos como dantes, como se isto não tivesse acontecido... Peço-te que não comeces a evitar-me por causa disto e que não deixes de tratar-me como sempre fizeste (e bem)... Quero passar uma borracha sobre o assunto e assentar os pés na terra. Se não responderes às minhas mensagens, não me quero sentir mal como me tenho sentido até agora, a pensar que não respondes porque não estás para te ralar e tens mais que fazer do que aturar os meus dramas (se calhar até é verdade... Mas tu não és assim, pois não?).

Também espero que desta vez esse coração fique inteiro e de boa saúde... Se houver mais uma queda (oxalá que não, para teu bem!), estou cá para te amparar... Como uma boa amiga, simplesmente. Acredita.

Obrigada pela paciência!

Adoro-te!

junho 13, 2012

A Agulha

A agulha com que teces esperanças
É a mesma que usas pr’as rasgar
E ainda que apontasse bonanças
Se tornaria revolto o teu mar!
 
Qual golpe de tesoura ou de espada?
Qual adaga, ou faca ou punhal?
E ainda que eu não vivesse nada
Essa agulha me seria mortal...

Docemente tu me vais picando
Com a sua ponta afiada e fria
E ainda que eu viva sangrando
Sofrer mais por ti conseguiria!

Cravejada de sonhos, e em flor
Com o tempo desfalece a pele nua
E ainda que não queira tanta dor
Continua a torturar-me, continua!

maio 15, 2012

O Que É?

Um vazio que não é fome
Secura que não é sede
Matéria que não tem nome
Mas que trespassa a parede

Não é sono, é dormência
Que desperta me mantém
Será este estado ausência
Que nutro por outrém?

Será que outrém saberia
Aquilo que sempre quis?
Sei que és tu, que neste dia
Não me vais fazer feliz...

Respiro a brisa a chamar-te
Vejo a luz da tarde calma
E ao imaginar tocar-te
Quase que te sinto a alma!

maio 07, 2012

Pequena Doce Quadra

Se feita de abóbora eu fosse
E tu de belo requeijão
Barrava-me em ti que nem doce
Numa suave cama de pão.

fevereiro 22, 2012

A Razão

A razão não é mais do que o sedativo do coração. O coração bate por uma pessoa, mas dói. Então a razão, funcionando como sedativo, induz o coração a um estado comatoso para não doer mais, mas não o controla, porque por debaixo do coma, ele ainda lateja...

fevereiro 14, 2012

Obrigada...

... Por este dia. Pelos outros dias, por aqueles que já vivemos e pelos que estão guardados à nossa espera. À espera que os inauguremos, que os abramos, qual caixinha mágica pronta a surpreender.
Pelos risos soltos sem motivo, pelos quilómetros de estrada percorridos a contemplar o que devia preencher sempre as nossas horas, e minutos, e segundos, que lá no fundo não nos damos ao trabalho de contar, porque não se quantifica o tempo quando este é bem usado...
Pela pele fria que se aquece de imediato ao aninhar-se na tua.
Pela falta que te sinto, pois me ajuda a sentir mais prazer quando a mato...
Pelo prazer, simplesmente.
Pelo orgulho que me proporcionas por te ter do meu lado. Pelo que me proporcionas...
Pela paisagem, pela carícia, pelo doce saboroso...
Pelo conselho, pelo som, pelo olhar... 
Obrigada por tudo. Mas sobretudo...
Pelo passado que curaste. Pelo presente que alegras. Pelo futuro que darás.

outubro 10, 2011

Luz

Luz. Será decerto uma ousadia chamar-te de luz. Mas foi esse o efeito que tu próprio ousaste produzir na minha vida. Um efeito que não era ténue, que não era fosco. Um efeito ao qual eu não estava acostumada, pois eu conhecia apenas aquele tipo de luz trémula, ora tão forte, ora tão fraca ao mesmo tempo. Que não era constante. Que me consolava, ao iluminar-me por breves instantes, e que depois me deixava perdida, com a sensação de desorientação. E tanto lutava eu para tentar sair do escuro! Esse escuro momentâneo, contudo torturante. E vieste então tu, luz. Luz permanente. Aquela luz brilhante que não cega, mas que desperta. Aquela luz que não alucina, mas que ajuda a ganhar consciência do caminho que devo seguir. E eu segui. Fui removendo as pedras que punhas a descoberto. Fui subindo, fui descendo, fui trilhando. Tudo se tornava tão claro que me pareceu absurdo. Tão límpido perante os meus olhos, devido à tua existência. Devido a ti, luz. Luz pequenina, mas não ténue, mas não fosca. Eu sabia que estarias ali, sempre presente, e que não estremecerias. Deixei de sentir necessidade de lutar para sair do escuro, pois sabia que o escuro torturante não mais tomaria lugar. E quero agora que essa luz continue. Quero que tu continues a pôr a descoberto as pedras que vou avistando, mesmo que me custe removê-las do lugar onde se encontram. E se ainda assim não as consiga afastar, que ao menos tu, luz, me ajudes a passar por cima delas. Que me dês a tua calorosa mão para ver onde coloco os pés, para não cair mais. E se ainda assim cair, que incidas tu o teu poder próprio sobre mim e me dês força para me levantar. Porque és luz com razão de ser. Natural, limpa, clareante. Luz. Palavra tão curta, de três letras apenas, que assume tanto significado... Tu, de facto, significas algo para mim. Significas muito. Por isso, oxalá não me retires o conforto que se apoderou da minha alma ao experienciar o efeito que tiveste nela... Que não me retires o calorzinho bom do qual o meu corpo disfruta... Poderás ser luz que não bronzeia, mas que me confere beleza. Que não é sol, mas que apetece absorver. Que não é fogo, mas que aquece. Que não é estrela, mas que é cintilante... E que não estará distante. Pelo menos assim espero. Não quero mais ficar no meio do escuro. Não quero mais ignorar as pedras e tropeçar nelas e cair e magoar-me. Não te apagues. Alimenta-me, luz, e dá-me ânimo. Dá-me o amparo que preciso. Impõe-te ao meu sofrimento. Tu, que secas lágrimas. Luz. Ainda será uma ousadia chamar-te assim? Não sei... Mas eu ousarei na mesma, tal como ousarei manter-me sob o teu precioso raio. Por tudo isto devo dizer... Te adoro, meu raio de luz!