julho 02, 2012

Untitled

Nobody’s looking, so I can cry
Nobody cares, so I can bleed
I don’t care, I’m not shy
But do they know that I’m in need?

junho 28, 2012

Interrogação

Pergunto-me se algum dia
Voltarei a falar contigo
Pergunto-me se algum dia
Voltarás a ser um amigo.

Pergunto se não podias
Ter sido mais do que isso...
E pergunto àqueles dias
Porque se quebrou o feitiço...

Pergunto, interrogo, indago
O passado incontornável.
É nele que hoje divago
E lhe chamo memorável.

Deleito-me no seu trono
Onde tudo se torna bruma
Vendo bem, eu questiono
O porquê de coisa nenhuma.

junho 19, 2012

Génese

Já que está a ser difícil conversar contigo porque andas sempre ocupado, espero que arranjes um bocadinho de tempo para ler isto. Foi a única maneira que arranjei para desabafar e tirar um peso do peito. E lá no fundo para mim é mais fácil exprimir-me a escrever do que a falar...

O que se passa é o seguinte: eu tenho namorado, gosto muito dele, mas ultimamente tenho pensado em ti de outra forma... Como tu disseste, qualquer pessoa pode cair em tentação mesmo que tenha um compromisso com alguém...

O que me levou a cair em tentação em relação a ti foi o facto de tu, ao longo do tempo, teres tido um comportamento em relação a mim que eu gostava que o X tivesse: atencioso, carinhoso... De vez em quando mandas uns piropos... E és sincero no que dizes. O X também era assim ao início, mas agora está diferente. A nossa relação já não tem aquela emoção que tinha, percebes? Eu não deixei de gostar dele, mas... Por outro lado sinto falta de ter alguém como tu ao meu lado... Alguém mais maduro, que me faça sentir bem e que dê valor àquilo que sou, porque tenho muito a tendência de me inferiorizar a mim própria e de às vezes sentir que estou a mais na vida dos outros...

Não estou a dizer que estou apaixonada por ti ou algo do género, mas também não sei definir o que sinto... Talvez seja apenas uma atracção física, ou um carinho especial, fora do normal... No fundo é uma necessidade de proteger-te, de não deixar que ninguém te magoe, de passar bons momentos contigo... Em certa altura pensei que também sentisses o mesmo em relação a mim, e que aos poucos estivesses a esquecer a Y... Que coisa estúpida, não é? Interpretei as coisas de uma maneira errada, principalmente depois daquela conversa nocturna que tivemos por mensagens...De tu dizeres que me achavas especial e atraente, depois tiveste aquele deslize inesperado (desculpa ter-te estragado o momento lol)... Comecei a fazer um filme na minha cabeça que não correspondia à realidade... A culpa é da carência... Mas sinceramente gostava que me respondesses a esta pergunta: alguma vez pensaste em cair em tentação comigo, mesmo gostando ainda da Y? Disseste que não querias cair... Mas achas que caías? E se o X não existisse? Desculpa se estou a ser muito convencida...

Agora que já disse o que tinha a dizer, a única coisa que eu quero é ultrapassar esta fase de confusão e que continuemos a darmo-nos como dantes, como se isto não tivesse acontecido... Peço-te que não comeces a evitar-me por causa disto e que não deixes de tratar-me como sempre fizeste (e bem)... Quero passar uma borracha sobre o assunto e assentar os pés na terra. Se não responderes às minhas mensagens, não me quero sentir mal como me tenho sentido até agora, a pensar que não respondes porque não estás para te ralar e tens mais que fazer do que aturar os meus dramas (se calhar até é verdade... Mas tu não és assim, pois não?).

Também espero que desta vez esse coração fique inteiro e de boa saúde... Se houver mais uma queda (oxalá que não, para teu bem!), estou cá para te amparar... Como uma boa amiga, simplesmente. Acredita.

Obrigada pela paciência!

Adoro-te!

junho 13, 2012

A Agulha

A agulha com que teces esperanças
É a mesma que usas pr’as rasgar
E ainda que apontasse bonanças
Se tornaria revolto o teu mar!
 
Qual golpe de tesoura ou de espada?
Qual adaga, ou faca ou punhal?
E ainda que eu não vivesse nada
Essa agulha me seria mortal...

Docemente tu me vais picando
Com a sua ponta afiada e fria
E ainda que eu viva sangrando
Sofrer mais por ti conseguiria!

Cravejada de sonhos, e em flor
Com o tempo desfalece a pele nua
E ainda que não queira tanta dor
Continua a torturar-me, continua!

maio 15, 2012

O Que É?

Um vazio que não é fome
Secura que não é sede
Matéria que não tem nome
Mas que trespassa a parede

Não é sono, é dormência
Que desperta me mantém
Será este estado ausência
Que nutro por outrém?

Será que outrém saberia
Aquilo que sempre quis?
Sei que és tu, que neste dia
Não me vais fazer feliz...

Respiro a brisa a chamar-te
Vejo a luz da tarde calma
E ao imaginar tocar-te
Quase que te sinto a alma!

maio 07, 2012

Pequena Doce Quadra

Se feita de abóbora eu fosse
E tu de belo requeijão
Barrava-me em ti que nem doce
Numa suave cama de pão.

fevereiro 22, 2012

A Razão

A razão não é mais do que o sedativo do coração. O coração bate por uma pessoa, mas dói. Então a razão, funcionando como sedativo, induz o coração a um estado comatoso para não doer mais, mas não o controla, porque por debaixo do coma, ele ainda lateja...

fevereiro 14, 2012

Obrigada...

... Por este dia. Pelos outros dias, por aqueles que já vivemos e pelos que estão guardados à nossa espera. À espera que os inauguremos, que os abramos, qual caixinha mágica pronta a surpreender.
Pelos risos soltos sem motivo, pelos quilómetros de estrada percorridos a contemplar o que devia preencher sempre as nossas horas, e minutos, e segundos, que lá no fundo não nos damos ao trabalho de contar, porque não se quantifica o tempo quando este é bem usado...
Pela pele fria que se aquece de imediato ao aninhar-se na tua.
Pela falta que te sinto, pois me ajuda a sentir mais prazer quando a mato...
Pelo prazer, simplesmente.
Pelo orgulho que me proporcionas por te ter do meu lado. Pelo que me proporcionas...
Pela paisagem, pela carícia, pelo doce saboroso...
Pelo conselho, pelo som, pelo olhar... 
Obrigada por tudo. Mas sobretudo...
Pelo passado que curaste. Pelo presente que alegras. Pelo futuro que darás.

outubro 10, 2011

Luz

Luz. Será decerto uma ousadia chamar-te de luz. Mas foi esse o efeito que tu próprio ousaste produzir na minha vida. Um efeito que não era ténue, que não era fosco. Um efeito ao qual eu não estava acostumada, pois eu conhecia apenas aquele tipo de luz trémula, ora tão forte, ora tão fraca ao mesmo tempo. Que não era constante. Que me consolava, ao iluminar-me por breves instantes, e que depois me deixava perdida, com a sensação de desorientação. E tanto lutava eu para tentar sair do escuro! Esse escuro momentâneo, contudo torturante. E vieste então tu, luz. Luz permanente. Aquela luz brilhante que não cega, mas que desperta. Aquela luz que não alucina, mas que ajuda a ganhar consciência do caminho que devo seguir. E eu segui. Fui removendo as pedras que punhas a descoberto. Fui subindo, fui descendo, fui trilhando. Tudo se tornava tão claro que me pareceu absurdo. Tão límpido perante os meus olhos, devido à tua existência. Devido a ti, luz. Luz pequenina, mas não ténue, mas não fosca. Eu sabia que estarias ali, sempre presente, e que não estremecerias. Deixei de sentir necessidade de lutar para sair do escuro, pois sabia que o escuro torturante não mais tomaria lugar. E quero agora que essa luz continue. Quero que tu continues a pôr a descoberto as pedras que vou avistando, mesmo que me custe removê-las do lugar onde se encontram. E se ainda assim não as consiga afastar, que ao menos tu, luz, me ajudes a passar por cima delas. Que me dês a tua calorosa mão para ver onde coloco os pés, para não cair mais. E se ainda assim cair, que incidas tu o teu poder próprio sobre mim e me dês força para me levantar. Porque és luz com razão de ser. Natural, limpa, clareante. Luz. Palavra tão curta, de três letras apenas, que assume tanto significado... Tu, de facto, significas algo para mim. Significas muito. Por isso, oxalá não me retires o conforto que se apoderou da minha alma ao experienciar o efeito que tiveste nela... Que não me retires o calorzinho bom do qual o meu corpo disfruta... Poderás ser luz que não bronzeia, mas que me confere beleza. Que não é sol, mas que apetece absorver. Que não é fogo, mas que aquece. Que não é estrela, mas que é cintilante... E que não estará distante. Pelo menos assim espero. Não quero mais ficar no meio do escuro. Não quero mais ignorar as pedras e tropeçar nelas e cair e magoar-me. Não te apagues. Alimenta-me, luz, e dá-me ânimo. Dá-me o amparo que preciso. Impõe-te ao meu sofrimento. Tu, que secas lágrimas. Luz. Ainda será uma ousadia chamar-te assim? Não sei... Mas eu ousarei na mesma, tal como ousarei manter-me sob o teu precioso raio. Por tudo isto devo dizer... Te adoro, meu raio de luz!

setembro 23, 2011

Coisas

Estava a lembrar-me agora de coisas nossas. Coisas minhas, coisas tuas, coisas que não sei como, mas que surgiram. E não sei onde é que essas coisas se foram buscar a elas próprias. Será que se resgataram sem eu saber? Só sei que por momentos, se instalaram na minha mente e não me deixaram tomar conta de mim, nem daquelas coisas que não são nossas.
São coisas tão ínfimas que nem sei como puderam pedir autorização à realidade para existir. E por serem tão ínfimas, eu me lembro delas, e mesmo assim as disseco, partícula por partícula, na esperança de arranjar para elas um sentido, uma razão. Talvez a própria realidade tenha trespassado o sonho para pôr essas coisas todas em cima da mesa, para que eu as visse, para que pudesse tocar nelas, cheirá-las, ouvi-las, senti-las... E recordar-me de ti. E de mim. Porque no fundo, são coisas nossas.
Logo agora, em que eu me ocupava de coisas que não seria suposto me ocupar - mas que devia... - apareceram outras!... De facto também isso não seria suposto, apesar de parecer. Aliás, nada seria suposto. Nem sequer essa substituição de ocupação. Só que pelos vistos, é. E por causa dessa fatalidade, me encontro aqui e agora, pensando em coisas, apenas. Coisas que as palavras não conseguem contar. Coisas que o coração se esforça por expulsar, e lá vem o raio do pensamento proibir. Coisas que esse tal sonho não consegue entender. Nem os outros.
Apenas coisas, é verdade... Mas que não deixarão nunca de ser nossas.

setembro 13, 2011

Saudade

Saudade, palavra bonita
Difícil de definir;
Mais fácil será de sentir
Se nela houver verdade.

E ao senti-la, um desejo
Nasce para a matar:
O desejo de te olhar
Que se torna realidade...

Será que um olhar basta
Para que ela se dissolva?
Não acredito que resolva
Tamanha dificuldade!

Pois quanto mais a matamos
Mais depressa a sentimos
E logo então descobrimos
O que é isso de "saudade"...

setembro 05, 2011

Ficarmos Juntos

Eu conheci-te, gostei de te conhecer, apaixonei-me por ti e gostava de ficar contigo.

"Porque devemos ficar juntos?" - foi esta a questão que praticamente me colocaste, sem no entanto a pronunciares. Só que eu tenho uma grande intuição, e logo percebi que devias ter dúvidas em relação à parte do "gostava de ficar contigo". Quer dizer, no fundo eu não gostava; eu queria, que é bem diferente. Aliás, eu quero, que é mais diferente ainda.

Ora, como eu gosto de ajudar as pessoas, principalmente aquelas que necessitam de ser esclarecidas, foquei-me na tua pergunta feita sem falar e pus-me a pesquisar a resposta para ela, ou as respostas, caso houvesse mais do que uma. E por acaso, havia. Ou há. As coisas que eu descubro!...

Foi uma pesquisa intensiva, mas acho que valeu a pena pelo resultado. Por isso te apresento neste momento as respostas, que espero que te ajudem no desaparecimento da tua dúvida... E que ela não volte, porque não faz cá falta nenhuma, em abono da verdade!

Pois bem, nós devemos ficar juntos porque não sei se já tinhas reparado, mas eu tenho a mesma estatura que tu e portanto consigo olhar-te bem nos olhos e ver os teus, a olhar para mim de volta. E consigo beijar-te sem ter grande trabalho, ou seja, assim já posso focar-me mais na intensidade do beijo sem me preocupar com o resto (contudo, ainda que tivéssemos estaturas diferentes, eu te olharia e beijaria na mesma).

Nós devemos ficar juntos porque tu até tens um cabelo tão comprido quanto o meu, e eu consigo acariciar-to e tu o meu; se fosse mais curto, era um pouco difícil, não por ser mais curto, mas porque a duração da carícia seria menor e não é isso que se pretende.

Descobri também que as palmas das nossas mãos encaixam perfeitamente uma na outra! Que coincidência engraçada, não é? E eu teria muito gosto em que elas se encaixassem por muito, muito, muito, mas muito tempo. Ou melhor, para sempre (desculpa usar este termo mas é mais prático).

Para além de tudo isto, eu sei que consegues ouvir o batimento do meu coração. Olha que eu também sei ouvir o batimento do teu, e sei que com um bocadinho de esforço, eles conseguem bombear em sintonia o sangue pelos nossos respectivos corpos. Devíamos ficar juntos igualmente por isto, porque se ambos os corações trabalharem em equipa, o sangue circula com mais facilidade e teremos mais tempo para viver. E tu não gostarias de viver por mais uns anos? Eu sim, e seria interessante fazê-lo acompanhada, principalmente por alguém que também o quisesse... Espero que seja o teu caso!

Devemos ficar juntos porque me lembro de uma vez me teres dito que não eras egoísta, e eu também não o sou, logo se parte do pressuposto que podemos dar um ao outro um pouco de nós... Eu, falando pela minha pessoa, não me quero só para mim!...

Devemos ficar juntos porque enfim, existem sofás de dois lugares, camas de casal, mesas que fazem conjunto com duas cadeiras, menus para duas pessoas, bilhetes para duas pessoas... E até mesmo numa taça de doce se pode colocar duas colheres.

Bom, se isto ainda não te convenceu, fica então a saber que devemos ficar juntos porque existe aquela coisa a que as pessoas costumam chamar de destino. Imagina que tens 3 caminhos à tua frente: um caminho curto, que se percorre numa dúzia de passadas, um caminho um pouco mais longo e um outro a perder de vista. O destino é como se fosse uma espécie de árvore muito bonita que serás capaz de encontrar no meio de um desses caminhos. Percorres o primeiro e dás logo com ela; percorres o segundo e lá está ela de novo; andas depois pelo terceiro caminho, que é longuíssimo... Mas avistas a árvore na mesma! Assim sendo, independentemente dos caminhos que faças, encontrarás sempre a árvore.

E eu acredito que és a árvore que existe nos meus caminhos todos! Provavelmente, eu serei a dos teus, porque acho justo retribuir. Assim estamos quites. Eu posso abrigar-me na tua sombra, colher as tuas flores e comer dos teus frutos sem que tu reclames, porque podes fazer-me o mesmo.

Lá no fundo não sei porque haverás de ser tu essa árvore e não outra pessoa qualquer... Deve ser porque devemos ficar juntos. Pelo menos foi aquilo que me disseste.