Conheço uma pessoa que costumava dizer que há
mais gente a querer o nosso mal do que o nosso bem. Eu não gosto de
pensar de uma forma assim tão radical. Ainda me resta uma esperançazinha
de que há gente boa neste mundo, com boas intenções, mesmo que não seja
propriamente santa, porque hoje em dia, santos só mesmo em forma de
estátuas. E talvez esta minha falta de radicalidade de pensamento seja a
culpada de eu levar com tantos golpes,
pontapés e murros no estômago, pois as minhas defesas são demasiado
fracas; o aço do escudo derrete, o muro desmorona-se, a espada parte-se.
E lá vou eu toda, coração na dianteira e cérebro na rectaguarda, para o
que der e vier. Eu confio, eu entrego, eu dou, eu sou, eu faço, eu
aconteço, eu aproveito, eu sugo as horas e os minutos e os segundos e os
milésimos de segundo até á última gota. Eu não me importo com os
ferimentos que me vão vincar o corpo no final da batalha. A minha
intuição guerreira diz não, mas eu digo sim. E eis senão quando perco o
equilíbrio na derradeira estocada. Vou contra o chão, trespassada e
rasgada... Mais uma vez. E ali fico prostrada, a esvair-me num sangue
que já pouco me corre nas veias. Faço o luto de mim própria, das minhas
atitudes inconsequentes, do querer demais de quem nada me pode dar a não
ser dores daquelas bem fundas que me corroem por dentro. Fico minada e
envenenada. Até que de súbito, me levanto. Ergo mais uma vez o escudo
derretido, volto a empilhar as pedras esburacadas, levanto a espada só
com metade da lâmina... E preparo-me para mais um embate. O chão lá
estará para me amparar. Somente o chão.
fevereiro 18, 2013
fevereiro 13, 2013
A Lógica
- Só gostava de saber o que vês em mim que não vês nos outros...
- E eu gostava de saber também o que vês nela que não vês em mim...
- Isso são coisas que não se explicam...
- Ora aí está.
fevereiro 12, 2013
Final
Quando eu partir
Irei com certeza recordar
Irei com certeza recordar
Tudo o que de bom aconteceu entre nós...
Mas também irei lamentar
Tudo o que de melhor poderia ter acontecido...
As manhãs que poderíamos ter aproveitado...
As tardes que poderíamos ter passado...
As noites que poderíamos ter vivido...
Aquela paisagem que não vimos...
A mesa onde não jantámos...
O quarto onde não dormimos...
E todas essas sensações
E emoções
E ilusões
Escapar-se-ão ilesas dos meus dedos
Desvanecendo-se neste corpo
Que um dia sentiu os teus medos
Neste corpo sem vida
Aquela que me deste e que ao mesmo tempo tiraste...
Quando tu partires
Irás com certeza recordar
Quem fizeste partir antes...
janeiro 31, 2013
A Persistência
- Queres namorar comigo?
- Porque perguntas isso?
- Porque quero que respondas.
- Ok... A minha resposta é não.
Passados 10 minutos:
- Queres namorar comigo?
- Porque que é que estás a perguntar isso de novo?
- Porque podias ter mudado de ideias entretanto...
- Achas que mudei?... A minha resposta é a mesma de há bocado.
- Ok... Realmente 10 minutos é pouco tempo. Eu volto a perguntar-te amanhã.
- Sim, mas a minha resposta não mudará.
- Que curioso... O que sinto por ti também não.
janeiro 27, 2013
Ocaso
O sol no horizonte descia
E eu, muito atenta, o admirava
Enquanto ele findava mais um dia
As suas cores de fogo transbordava.
Perguntou-me, num sussurro, se haveria
Mais alguém que me acompanhasse
A observar toda aquela magia
Como se de um espectáculo se tratasse.
Respondi-lhe tristemente que não;
Toda a gente andava ocupada
Especialmente alguém que o coração
Escolheu como eterna morada...
E eis que o sol então me acarinha:
"Amanhã de novo cá estarei...
Pode ser que não estejas sozinha
E espectáculo maior eu vos darei..."
Assim sendo eu te quero convidar
A tornares-te fiel espectador
De um dia que poderá acabar
Com um belo e diferente esplendor...
Um pôr-do-sol é sempre belo, não minto
Mas não queiras sequer comparar...
És tu que o tornas belo, é o que sinto
Quando me junto a ti para o contemplar...
janeiro 10, 2013
Conexão
Aquilo que a boca esconde, os olhos mostram.
Aquilo que os olhos negam, a mente contempla.
Aquilo que a mente esquece, o coração lembra.
Aquilo que o coração tem, a mão perpetua...
janeiro 07, 2013
Novo Ano
"Oi bom dia. Nunca mais deste notícias, mas espero que estejas bem e que as coisas estejam a andar. Fico um pouco triste por não me teres dito nada, porque não sei se mereço assim tanto silêncio da tua parte... Tendo em conta o que fiz e faço por ti, mesmo sendo só uma amiga... Penso em ti todos os dias. Tenho saudades de te ver, falar e estar contigo... Mas pronto, ambos sabemos que não te posso obrigar a nada. Não sei que rumo vais querer tomar este ano, mas lembra-te que tens aqui um coração pronto a receber-te. Quer dizer, no fundo tu já lá moras... Porque eu te amo. Beijos."
Foi com esta longa mensagem, de sentidas palavras, que transmiti o meu estado de alma ao X, esta manhã. Lágrimas correram pelo meu rosto. Lágrimas de saudade, amor e sobretudo impotência por não conseguir fazer com que ele dê sinal de vida... A sua ausência consome-me!...
novembro 20, 2012
(Outro excerto...)
Disse-lhe então a Fada:
- Tu tens o teu poder, ele está dentro de ti, eu sei. Contudo não deves deixar que ele te faça subestimar aquilo que ainda não podes compreender. Pois o caminho que hás-de percorrer ainda é longo.
- Quanto tempo julgas que demorarei? - questionou o Mago.
- Aquele que o teu coração permitir...
in "A Fada E O Mago"
novembro 19, 2012
Receita Infalível II
Peguei num kg de amizade pura, juntei-lhe 3 chávenas bem cheias de carinho, misturei tudo com um punhado de apoio e força, moldei em forma de beijo grande e levei ao forno do coração... Espero que disfrutes da receita!
novembro 03, 2012
Olhei
Olhei para trás e vi angústia...
Olhei para o lado e vi indiferença...
Olhei para cima e vi decepção...
Olhei para baixo e vi cansaço...
Olhei para a frente...
E vi-te.
Olhei para o lado e vi indiferença...
Olhei para cima e vi decepção...
Olhei para baixo e vi cansaço...
Olhei para a frente...
E vi-te.
agosto 12, 2012
Enquanto Dormes
Um suspiro contido ferve dentro do meu peito. Ao ver-te assim tão frágil, tão sensível perante as crueldades que a vida te aprontou, mas espero que ela não as cometa mais.
Descansas embalado num sono profundo. Os teus dedos mexem. A respiração, de vez em quando, acelera. Enquanto que a minha se sustém. Pensando que talvez esse sono profundo seja um dos últimos que presenciarei. Mas achas que eu quero? Eu não quero! Eu juro que não quero, por mais absurdo que isso te possa parecer agora. Não agora, em que prossegues a tua viagem secreta, e que eu acompanho de longe. Ou de perto, e mesmo assim não consigo obter informação suficiente sobre o itinerário. Nem me apetece incomodar-te com isso.
Escrevo assim, de rajada, enquanto dormes. E o suspiro contido ainda cá mora. Porque umas das tais crueldades, é minha.
julho 02, 2012
Untitled
Nobody’s looking, so I can cry
Nobody cares, so I can bleed
I don’t care, I’m not shy
But do they know that I’m in need?
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