julho 12, 2013

Um Mês

Uma rede. Uma página. Um clique. Um comentário. Um pedido. Um "olá". Uma conversa. Um elogio. Uma piada. Uma amizade. Uma tela. Um telefonema. Uma mensagem. Um concerto. Um bilhete. Um comboio. Uma viagem. Uma cais. Uma cidade. Um rio. Uma ponte. Um monumento. Uma rosa. Uma cama. Um olhar. Um sorriso. Um abraço. Um beijo. Uma carícia. Uma palavra. Um almoço. Um jantar. Um "brunch". Uma ceia. Um pôr-do-sol. Um luar. Um jardim. Um passeio. Uma foto. Uma música. Uma dança. Uma bebida. Um banho. Um perfume. Um cigarro. Um desejo. Um horóscopo. Uma roupa. Uma equipa. Uma lista. Uma inspiração. Um texto. Uma janela. Uma festa. Uma madrugada. Um anel. Uma promessa. Um reencontro. Um sonho. Uma realidade.

Um mês. Uma eternidade. Um homem. Um amor.

julho 08, 2013

Em Que Estás A Pensar?

Em que estou a pensar? No teu corpo. A sério. Na bela escultura que ele esconde. E que eu reclamo como sendo minha. Não me julgues por isso... É através dele que eu chego até ti... E quero redescobri-lo e perder-me nele uma e outra e outra vez... Perder-me nos teus olhos, nos teus lábios e na tua pele... Em que estou a pensar mais? Que sinto saudades do teu riso, das tuas piadas, de ver-te fumar... De acariciar o teu cabelo, de mordiscar a tua orelha, do teu perfume... De te pegar na mão à mesa, de te fazer massagens, de me aninhar no teu peito, de te ver a andar de tronco nu pela casa... Saudades dos nossos banhos de imersão, do nosso brunch, dos nossos jantares caseiros, da tua objectiva fotográfica... As minhas unhas cravadas nas tuas costas... A minha cintura a ondular em cima da tua... A minha língua a passear no teu ouvido...

Enquanto não me levo até ti... Trago-te em pensamentos...

julho 02, 2013

Cidade do Tempo Eterno

A Cidade do Tempo Eterno
Que me deste a conhecer
Não tem prédios muito altos
E posso olhar para o céu
As vezes que me apetecer.

A Cidade do Tempo Eterno
Tem ruelas estreitas
Onde nos podemos esconder.
Ficaram com os nossos risos
Com os nossos passos
Sem nenhum de nós saber.

A Cidade do Tempo Eterno
É luminosa e é escura
Calmaria e agitação
De atmosfera pura
Que dá gosto absorver.

A Cidade do Tempo Eterno...
Foi nela que me deixei
E não mais me procurei
Mesmo que o quisesse fazer.

Essa Cidade que amarei
Da qual cativa fiquei
Para não mais te perder.

junho 28, 2013

Foto Tipo Passe

Descobri-a acidentalmente. Uma foto tua, tipo passe, camuflada no pó, escondida dos olhares. Com ar de ser antiga, embora bem conservada. Eras tu, com alguns anos a menos. Uma vintena deles, suponho.
Tinhas um aspecto sereno e compenetrado ao mesmo tempo. Rosto alvo, de feições delicadas e limpas. Usavas fato e gravata na altura, a barba desfeita, um penteado aprumado. Tudo composto para a ocasião do "flash".
Não sei em que contexto a tiraste, mas deixa-me dizer-te que eras incrivelmente bonito. Belo, mesmo. Acredita... Pois, não acreditas. Achas que é tudo uma grandessíssima "tanga" minha. Acha pois o que quiseres e o que bem entenderes. Não me vais conseguir tirar essa opinião do pensamento e, por conseguinte, da minha boca.
Os anos passaram por ti e isso é um facto. Os anos que te trouxeram experiências, etapas, mil e um estados de alma que se resumem ao senti-la nos píncaros da existência suprema ou no mais profundo subsolo de tudo o que é negativo neste mundo. Os anos que te trouxeram pessoas e os respectivos laços, próximos ou não. Que te trouxeram lugares, os de passagem e os fixos. Os anos que fizeram de ti a pessoa que és hoje.
A vintena deles que separa a foto do presente marcaram-te o rosto. Tornaram-no menos alvo; as suas feições fragilizaram-se. Parto do princípio que tu aceitaste tudo isso com naturalidade. E o que se viveu está vivido... Não há como inverter o processo. Eu também não irei para nova... Haverão estragos à minha espera.
Mas também parto do princípio que de alguma forma, ainda estará aí dentro o rapaz que vi na fotografia. A sua energia, sagacidade, curiosidade, as suas ganas de tudo. E, creio eu, algures debaixo de uma forte camada de comodismo, medo, insegurança, descrença, que foste construindo nesses anos todos que passaram. Uma camada terrivelmente grossa que o sufoca, que não o deixa respirar.
Deixa-o submergir. Não o confines a um quadrado de papel. Ele é demasiado tu para estar apenas ali. Não o remetas para uma memória remota do teu ser. O que se viveu está vivido... Mas ainda há mais para viver.
E deixa-me que te diga: continuo a achar-te incrivelmente bonito. Independentemente das vintenas.

junho 27, 2013

Sussurro da Alma

A minha alma sussurra-te ao ouvido: "Gosto de ti, gosto de ti". E tu te mostras incrédulo. Não consegues conceber a ideia de que as almas também sussurram, no seu silêncio tão próprio. Até mesmo a tua sussurra, embora a tua vontade de a calar permaneça. Comigo, isso não resultou. Eu consigo ouvi-la. E respondo de volta: "Também te amo".

junho 22, 2013

Todo Tu

Todo tu. Todas as letras do teu nome, do teu apelido, da tua caligrafia inquieta. Todo o mel que te escorre dos olhos, toda a displicência dos teus lábios, toda a tua postura, todo tu.

Toda a tua expressão. Todos os fios brancos do teu cabelo. Todos os outros fios, que eu agarro, para não te perder à meada. Todas as tuas marcas. Toda a tua barba desfeita ou até mesmo por desfazer. Todo o teu canto da boca a prender mais um cigarro, o primeiro do maço, o último. Todo o fumo que exalas sem pressa. Toda a aura que te envolve. Todo o teu vestir e despir. Principalmente o despir. Todas as privilegiadas gotas de perfume que povoam o teu pescoço. Todo o fervor que te consome a mente, todo o ardor do teu peito, toda a tua raiva, revolta, toda a tua doçura, calma. Todo o teu riso, toda a tua lágrima disfarçada, todo o teu prazer, toda a tua dor. Todo tu.

Todo o contorno da tua cintura. Todas as veias que pulsam nos teus braços. Toda a tua força e fraqueza dissimulada, toda a tua agilidade. Toda a tua verdade. Toda a tua nudez, toda a tua crueza. Toda a tua liberdade.

Todo tu. Que és todo meu.

junho 21, 2013

Costas Nuas

Estou a ver os traços da tua espinha. Tu para aí ocupado, ou a fingir que estás, para não pensares em nada, e nem te apercebes do deleite que me proporcionas. As tuas costas nuas, cenário perfeito para um passeio de unhas. E agora estás de cigarro na boca. "You delicious bastard". Lembras-te? Eu sim. Espero que te lembres disso e muito mais. Embora agora ache que estás muito mais preocupado em arrumar os CD que tens por aí espalhados do que propriamente em lembrares-te de mim. Ou de nós. Mas aqui estou eu, sentada, a contemplar-te, em silêncio. A ver os traços da tua espinha. Aquela que eu acabo por arrepiar cada vez que te toco. Assim espero que seja. Que o meu toque não tenha sido em vão. Que o tenhas guardado algures em ti. Que não o tenhas transferido para mais lugar nenhum. Nem sequer para os CD. Olha que fico ciumenta, e vai na volta agarro neles e desarrumo-os só para depois ter o prazer de te ver a arrumá-los novamente na estante, de costas nuas para mim. Tal como se estivesses a arrumar o caos dos teus dias, dos teus pensamentos, das tuas frases e afirmações. Sei que não estás. Agora os CD, depois o resto. E depois eu, ou talvez não. Ou talvez sim. Ou então eu, e depois o resto. Quanto a mim, já defini as prioridades: primeiro, contemplar-te. Depois, continuar a adorar-te. E por fim, amar-te, a ti e os traços da tua espinha. E que eu saiba disso.

junho 20, 2013

Tu És Tu

Tu és tu. Não podes, nem deves ser mais ninguém a não ser tu. És um exemplar que não mais se repetirá. Portanto usa-te, aproveita-te antes que expires. Permite-te a isso. Permite-te assentar os pés firmemente no ar, cair ao tentares fazê-lo e fazê-lo uma e outra e outra vez. Goza o teu pleno dever de falhar, de estragar tudo, de fazer merda, para que depois possas usufruir do direito de consertar, reconstruir, limpar e recomeçar, mesmo que depois tenhas que falhar de novo. Dizem que errar uma vez é perdoável, errar segunda já é estupidez. Permite-te então seres um grandessíssimo estúpido. Só assim conseguirás ser inteligente. Se estiveres entre aqueles que rastejam pela vida fora, caminha. Se eles caminharem, corre. Se eles correrem, voa. Mas nunca te conformes. Quem segue um rebanho tem um fim marcado, quem foge dele marca um começo.

Tu és tu. E não eles.

junho 19, 2013

Tela

Acordei ainda um pouco estremunhada de sono. Era Domingo. Era Junho, mas não parecia. Era suposto estar sol, mas não estava. E enquanto não estavas comigo, levantei-me. Fui até à varanda da sala. De facto não parecia estarmos em Junho. O céu cobria-se completamente de nuvens, dando um aspecto ainda mais sombrio à cidade que só por si já o é. Sombria, cinzenta, antiga, tal como o mundo lá fora, que observo através da janela.
Reparei que na tua sala havia uma enorme tela, que tapava quase por completo uma das paredes. Estava torta. Fui lá e endireitei-a. Não gosto muito de ver quadros tortos; sempre ouvi dizer que dão azar. E para além disso, convém que os quadros estejam direitos para que se possa apreciá-los convenientemente, sem correr o risco de ficar com um torcicolo...
Não te pedi autorização para a endireitar. Também não estavas ali. Aliás, talvez a tela estivesse torta de propósito - podias gostar mais dela assim. Contudo, eu achei que devia fazê-lo, e que provavelmente nem te importarias.
Mais tarde, olhando com mais atenção, vi que na tela estavam escritas as seguintes palavras:

ESTRUTURA
EQUILIBRADA
REGULAR
NATURAL
SUPORTA
UNE

E naquele momento, tudo fez sentido. Uma estrutura equilibrada, regular e natural, suporta e une. Por isso, se tiveres mais telas que estejam tortas nas tuas paredes, prontifico-me a endireitá-las. A equilibrar pois as tuas estruturas, torná-las naturalmente regulares, tal como deviam ser. E elas te irão suportar. E elas nos irão unir.

junho 05, 2013

Só Mais Um

Tu fazes-me sorrir. E muito.
Tu fazes-me sentir feliz com pequenas coisas.
Com um telefonema. Com uma piada. Com um olhar.
Com o teu pensamento posto em mim.
Tu fazes-me sentir aquele "eu" que eu era suposto ser.
E fazes tão pouco para que isso aconteça... O que para mim, na verdade, é muito.
Tu fazes-me ansiar por algo muito bom. Como aquela criança que fica fora de si quando sabe que lhe vão dar uma simples guloseima.
Tu és uma guloseima. A propósito, tens uma voz de cana... De açúcar. Porque é doce.
E é a voz que eu não me importaria de ouvir, mesmo que não dissesse nada de jeito...
Eu sei que não devia voltar aos "vómitos literários". Quase que me fizeste prometer que não o faria. Mas não me consigo conter.
Amo, logo escrevo. Portanto, como poderia não te escrever?

Não sei até onde irá a caneta. As palavras.
Vou contudo desamarrá-las e deixá-las seguir o seu curso... Sem medos.
Não sei até onde irei, até onde iremos.
Espero contudo ir, e espero que vás comigo até onde eu for.
Eu gostava de ir longe. De deixar para trás todas as porcarias que minam a minha vida... Queria lavá-la, deixá-la limpa, pronta para te receber nela (meu Deus, isto agora soou um pouco pornográfico, mas "whatever", como tu dizes...).
Bom... Tu no fundo já lá estás, e faço questão que continues. Na minha vida.
E que me dês cada vez mais motivos para "vomitar", para continuar a escrever-te...

Já te disse que me fazes sorrir? E muito?
Por isso é que te dedico este texto. E me dedico. A ti, meu centauro invicto.

maio 23, 2013

Meias

Doem-me os pés de estar tanto tempo de pé. Descalço-me lentamente. Observo os meus dedos cansados, a planta do pé enfiada numa meia elástica, grossa, que tenho obrigatoriamente de usar. São as chamadas meias de descanso, que na verdade não proporcionam descanso nenhum. Apertam os meus pés e as pernas até à zona do joelho, não deixam a pele respirar e causam uma sensação de calor um tanto ou quanto difícil de suportar... O que vale é que são meias sem ponta, e portanto deixam os dedos a descoberto. Os meus dedos magros e cansados.

Nem sempre me mantenho de pé. Também caminho, e até mesmo aí devo usar as tais meias. Não gosto muito de as usar, mas gosto de caminhar. Dizem que faz bem à saúde, melhora a qualidade de vida, etc. Também oiço dizer que o caminho é para a frente, e que mesmo que não seja para a frente, quando se caminha chega-se sempre a qualquer lado.

Doem-me os pés de tanto caminhar. Posso parar para descansar, mas as meias não me vão servir de nada, naturalmente. Posso tirá-las, mas duvido que chegue a algum lado. Curiosamente, e para mal dos meus trilhos, estradas e corredores que tenho para percorrer, o que não falta por aí são meias do género. Que nos apertam, nos cansam e nos impedem de seguir. Em frente ou para os lados... Tanto faz.

maio 21, 2013

Tiquetaque

Conto os dias. Ainda faltam alguns. Conto as horas, e ainda faltam bastantes. Não me dou porém ao trabalho de contar também os minutos e os segundos, porque aí a matemática complica-se e eu nunca fui muito boa a essa disciplina na escola. E para complicados já bastam os dias que faltam, e as horas. Só que não posso passar por cima deles; ainda que eu quisesse destruir todos os relógios, de nada me valeria. Os dias cá estariam na mesma, à minha espera, tal como eu espero que eles passem, que eles se ultrapassem, que eles se atropelem, honestamente falando...

Diz-se que o tempo voa. Tenho as minhas dúvidas acerca disso. Na minha opinião, ele deve estar com algum problema nas asas, ou então a culpa é da baixa altitude. Só isso consegue explicar o facto de a vida que à partida me pertence não estar já aqui e agora ao meu alcance. Invisto, deposito e o banco do tempo demora imenso tempo a disponibilizar-me o crédito. E a paciência, a tolerância e a condescendência são um saldo que se esgota até se tornar negativo.

Continuo a contar os dias e as horas, e lá no fundo sei que as contas vão bater certas. A soma do pensar com o sentir, a subtracção da ansiedade e da expectativa, a multiplicação das alegrias e a divisão das tristezas. E os ponteiros de todos os relógios vão continuar a andar - isso também é certo. Só que dessa vez, ao invés de os querer destruir, vou querer preservá-los e desejar que as asas do tempo nunca saiam do chão.

Tu vais valer todas as operações, equações e resoluções. E os dias. E as horas. E já agora, os minutos e os segundos que outrora vi-me forçada a ignorar. Porque nunca fui muito boa a Matemática. Mas hei-de respirar de alívio... Vou tirar positiva, de certeza.