fevereiro 12, 2014

Trailer

Para que estar longe quando se pode estar perto?

E empregos há muitos... Amores é que não...

De súbito, ela apanhou o comboio.

"Então, amor? Que fazes aqui?"

"Querido, dei um murro na mesa. Vamos fazer as nossas coisas e não as dos outros. Morreremos para o mundo e renasceremos para o nosso".


Brevemente... Numa vida nossa.

InfinitOito

Oito meses de partidas e chegadas
Tantas vezes atabalhoadas
Trazendo alegrias ao cais
E lágrimas, essas, muito mais...
Oito meses mantidos pela linha
Da tua paciência e da minha
Pela do Bell, do Face e dos carris
Pela luz do teu rosto quando sorris!
Oito meses de algumas discussões
Tão normais de quem tem imperfeições
Porque até os mais fortes sentimentos
São minados por fracos tormentos
Oito meses em que esses nada contam
Quando os nossos corações nos apontam
Um para o outro, no presente e no futuro
Como se houvesse uma bússola de amor puro
Que nos ajuda a seguir, a navegar
Até ao almejado porto chegar
Feito de abençoada união, plenitude
E falhas encimadas por virtude...
Durante esta nossa longa viagem
Que nunca nos percamos da margem
Aquela em que Razão e Emoção
Nos seguem ternamente dando a mão.
Oito meses? Tanto tempo já passou!
E no entanto, parece que parou
Fazendo-me lembrar algo bonito:
Que o oito, deitado, é infinito.

fevereiro 01, 2014

Vales A Pena

Quando penso nos momentos em que me fazes rir

Naqueles em que olhas para os meus olhos com ternura

E falas sem dizer nada

Nas alturas em que partilhamos confidências

E luzes de sol

De lua

De velas 

E de fogo-de-artifício

E atenuamos as nossas pequenas escuridões

Com o fogo de dentro...


Também penso que vales toda a pena.

janeiro 28, 2014

Plenitude

Persianas do quarto fechadas mas não totalmente cerradas - um pouco de sol as perfura. Tu e eu deitados, agarrados um ao outro, timidamente iluminados. Abro os olhos e cheiro-te a pele quente do pescoço. Acaricio-te por debaixo da roupa... Deixo os meus dedos vaguear pelo teu peito, até que eles subitamente se lembram de um caminho situado mais em baixo... Dou-lhes total liberdade para o percorrer... Desafio-te a percorreres também os caminhos do meu corpo, também ele quente e pulsante, sedento do teu toque... E os teus e os meus se vão cruzando, formando um só, que nos há-de levar à plenitude de nós mesmos...

Prece

Que todos os nossos dias sejam dias em que olhemos um para o outro tal como se fosse a primeira vez em que nos olhámos quando já tínhamos a flecha no peito...

dezembro 01, 2013

Feito!

"Não faças nada".

Esta frase costumava sair-te da boca na constância das nossas conversas. À partida, não seria necessária a minha intervenção em certas e determinadas situações. Em nome da tua capacidade de resolução, do teu espírito de estratega, em nome de toda a tua maturidade e sensatez. Assim me tranquilizavas. Assim me tirarias um peso que não era suposto eu carregar sobre os meus ombros.

E eu, respeitando-te, obedecia. Ou pelo menos, tentava... Não respeitando, no fundo, uma inércia forçada. Não querendo obedecer a uma imposta impotência, o impávido e sereno - e (porque não dizê-lo?) incompreensível - cruzar de braços que se faz perante o abalo das nossas estruturas, que levamos tanto tempo a edificar. É justamente aí que algo deve ser feito.

E eu, amando-te, não queria que as tuas desabassem por completo. Não só por ti, mas também por ti. Mesmo que tu, valentemente, me dissesses "não faças nada". Mesmo que tu próprio te voluntariasses a vê-las cair, embora eu julgasse que tal seria pouco provável de acontecer.

Pois bem... Resigno-me então, e não farei nada. Isto porque antes de tu, num acto de quase súplica, me pedires tal coisa, já eu tinha feito todas as coisas. Confesso: fiz, fiz e fiz. Eu fiz o que tinha a fazer.

Lamento pois informar-te, mas já vens tarde. Antes mesmo de te mostrares, já eu te tinha visto, tal como alguém que avista outro alguém seu igual no meio de uma multidão.

Para o teu pedaço de escuridão, eu descortinei uma réstia de luz. Para as amarras da tua dura realidade, eu forjei uma lâmina afiada composta de sonhos. Sonhei-te igualmente meu, sonhei-me tua, sonhei-nos nossos. Criei formas de purificar as tuas torrentes internas de sobressaltos e dúvidas. Quis afugentar os teus fantasmas. Considerei-te minha parte antes de te apartares. Consegui percepcionar o horizonte tão próximo enquanto te debatias com um barco à deriva.

Desculpa, mas fi-lo. É justamente quando se ama que algo deve ser feito. E eu, amando-te, voltaria a fazer tudo de novo. Caso contrário, faria nada. Mas nesse caso, nem estaríamos cá para fazermos o que quer que fosse. Felizmente, cá estamos. Cá estive, cá estou, e cá estarei. A fazer aquilo que seja preciso para te fazer feliz.

novembro 12, 2013

Memorando

1 - Amo-te de forma genuína e verdadeira;
2 - És uma pessoa especial e com grande valor, apesar dos defeitos e de às vezes me tirares do sério;
3 - As más fases não te tiram o dom de teres mudado a minha vida para melhor;
4 - Acredito que tu e eu temos futuro;
5 - Quero preservar-te e ter-te para mim, porque não há ninguém assim tão único;
6 - Se nos mantivermos bem, fortes e unidos, não teremos necessidade de sair do "castelo" (falo por mim);
7 - Temos uma química maravilhosa da qual não quero abdicar nem trocar por outra;
8 - Eu não pertenço às redes sociais nem ao mundo; eu pertenço-te a ti;
9 - A última das minhas intenções para contigo é magoar-te, fazer-te sofrer ou fazer-te sentir inferior;
10 - Se pensares que tudo isto que acabaste de ler é uma grande treta, volta ao ponto 1 até te convenceres que é verdade!

novembro 04, 2013

Madrugada

Madrugada. Uma penumbra invade a sala de estar. O sol ainda não apareceu. Está para chegar. Entretanto, estou ali sozinha, a ser brindada com um céu mesclado de azul-escuro e arroxeado, apenas interrompido por um tímido clarão branco que denuncia o início de um novo dia. Uma estrela ou outra continua a brilhar lá no alto. A cidade, que vejo através da enorme janela e que um dia chamei de Cidade do Tempo Eterno, desperta devagarinho, entre as silhuetas luminosas dos edifícios. Não tenho sono - por enquanto - e ainda bem. Não podia perder este espectáculo. Esta benção de saber que é mais um dia, que estou viva. E sobretudo, esta benção de saber que te tenho. Não estás ali comigo... Ficaste deitado, no quarto ao fundo. Do qual eu saí, mas ao qual vou voltar. É que entretanto, um sono ligeiro começa a tomar conta de mim. De facto, ainda é muito cedo e na verdade, não há pressa de se chegar a lado nenhum. Volto então para a cama onde dormes. Onde dormimos. De súbito, pressentes que ali estou e abres preguiçosamente os olhos. Só um bocadinho, porém o suficiente para eu lhes captar o brilho. Olhas ensonado para mim, eu olho para ti, naquela cumplicidade de sabermos que aquilo não é um sonho. Sorris docemente, eu sorrio de volta... E aninho-me no calor do teu corpo. Sabe tão bem. Voltas a fechar os olhos, eu também fecho os meus e ali ficamos. Não há pressas de nada. O dia que está para vir pode esperar.

outubro 25, 2013

Assim Seja Também

É muito bonito dizê-lo, mas ainda é mais bonito senti-lo. Descrentes o maldizem, medrosos não o conhecem, os austeros de espírito o desvalorizam. Eu, contudo, o vivo, contra todas as correntes. E senti-lo não é só bonito; é provar o sal da vida, que por sua vez funciona como mel para a alma...

Assim sendo, que eu to possa dizer, sempre que me apeteça, sempre que me recorde que a tua existência o justifica plenamente. Mais do que dizer-to, que eu tenha capacidade de o demonstrar todos os dias, e através do mais imperceptível dos gestos e dos pensamentos que vou revelando, pois sou um livro aberto, e tu és, neste momento, o mais belo capítulo que eu poderia redigir. Um capítulo que há-de ter inúmeras linhas, cheias de verdade e beleza, dignas daqueles romances que enchem estantes um pouco por toda a parte.

Que ele esteja presente no chão que pisamos, nas ideias que trocamos, nos milhentos olhares cúmplices e silenciosos que direccionemos um ao outro. Que esteja presente no presente e no futuro, que é o que realmente importa. Que te torne importante, mesmo que tu já o sejas. E se estiver presente no passado, que nos traga apenas as recordações mais doces que nos trouxeram para o que somos agora.

Que seja sempre sério e verdadeiro. Que eu o possa alimentar em cada instante que passa, como se no fundo esta fosse a minha única missão. Que ele cresça, que floresça e frutifique em abundância, sem ervas daninhas... Que tu o possas ver esse crescimento, entendê-lo e confirmá-lo dentro de ti. Que ele cresça tanto que não me caiba mais no peito, que expluda, que alastre e dê cabo de mim, de ti e de nós, para que nos possamos renovar nele continuamente... Eu quero, eu quero e eu quero. Eu quero-te, eu quero-te e eu quero-te.

Porque eu amo-te.

outubro 23, 2013

Piano

Sento-me perante ti. Percorro-te lentamente com o meu olhar. Antigo, possante, de sábia calma, fresco, um tanto ou quanto frágil, frenesi ocultado. Reúnes tudo. Notas agudas e graves repartem-se pelas teclas brancas, pontuadas pelos meios tons que as teclas pretas revelam pelo meio. Tudo ao dispor para uma sinfonia completa. Vai ser desafiante; ninguém me ensinou a tocar. Ainda assim, me familiarizo com elas. Como se na verdade tivesse tido uma preparação prévia, nem que tivesse sido em sonhos; consta que é assim que os génios da música compõem. Não pretendo ser um génio. Apenas quero pôr em prática aquilo que posso saber. Ou até sei.

Estico os meus dedos delgados. Toco-te. Toco-te ao de leve, devagar. O primeiro som que me sai é grave, gutural, pouco trabalhado, no fundo. Não me assusto, nem desisto. São só as primeiras teclas. Uma a uma, vou-te explorando, sem pressas, como se não te quisesse corromper. Quero-te aprender, apenas... Dá-me tempo. As primeiras notas são uma espécie de choro... De drama... São tristes. Ora, ainda estou no princípio. Ainda me falta percorrer as outras, e são tantas. Já para não falar nos meios tons, que me despertam curiosidade. Continuo a tocar-te... Experimento-os. Forço naturalmente o equilíbrio que deve haver entre as notas.

Pausadamente, lá vou passando para as mais agudas... São de facto mais alegres, mais leves... Os meus dedos pronunciam-se: já te conheço tão bem. E só comecei a tocar-te há pouco. Confesso que eles não estavam propriamente treinados, mas isso era aquilo que eu pensava que sabia... Lá no fundo, eu sabia. Que podia extrair de ti uma tímida junção de Dós e Sóis, de Lás e Sis. Atabalhoada, eu sei... O típico início, afinal, de todas as coisas perfeitas. Quantas e quantas pautas terão sido rasgadas neste mundo antes de o seu fruto brotar para o nosso deleite auditivo?

Repito: não quero ser um génio da música. Não quero mostrar nada para plateia alguma. Não me quero sequer convencer que possa existir outras teclas pretas e brancas. O que eu quero é continuar a tocar-te. A ouvir os sons que produzes. A equilibrar com mestria os teus agudos e graves. Acredito que todas as peças que estão por ser criadas serão magistrais, sem haver mais ninguém na orquestra. E tudo isso com todo aquele prazer que obtive da primeira vez que me sentei perante ti e te percorri com o olhar.

outubro 18, 2013

Casa

Nada me é estranho. Nada me causa desconforto. Nada ali me faz querer não pertencer. O chão de ocre que se distende em direcção à luz imensa, que o inunda, que se espelha para todo o restante espaço... Para lá da luz, um outro espelho, elementar, emoldurado por tons de terra e alvura, pacatos. A ponte de metal lá ao fundo, de aspecto austero e imponente, todavia não me metendo medo, pois tantas vezes a atravessei... A imensidão do céu azul, uma lufada de ar fresco e novo na alma. Sustenho a respiração. Piso o chão, sem deixar de contemplar tudo aquilo. Naquele chão onde sei que hei-de dançar, deambulear, amar, quem sabe deitar-me nele e fundir-me no espelho. Ali ao lado está um cavalete... Nem de propósito. O pretexto perfeito para imortalizar em linho as sensações que absorvo. Uma ou outra gaivota me sobrevoa. Tão longe dali, e tão perto. A grande mesa de vidro aguarda por sensata luxúria... A lareira sequiosa de não dar a mais absoluta trégua a noites de chuva e frio. Se me voltar para o mesmo lugar de onde vim, dou de caras com um canto mais recôndito, mas igualmente merecedor de luz, de espelhos, de céu azul. De abraços, de risos, de janelas abertas nas manhãs domingueiras e solarengas. De cheiros de velas, de vapor de água quente, de livros, de momentos relaxantes, de arte em todas as suas formas. De crenças de que o caminho realmente é para a frente. E novamente volto ao chão de ocre, e naquele momento sinto os espaços como unos. Não me são estranhos ou desconfortáveis. Eu já ali estive, sem nunca ter estado.

Bem-vinda a casa.

outubro 16, 2013

À Letra

És muito para mim. O normal seria arranjar um adjectivo para pôr no meio e tornar esta frase mais completa e com mais sentido. Em vez de adjectivos, poderia inclusive encontrar outros termos, ou comparações metafóricas, fazendo a vontade à razão e deixando que ela se tornasse a tradutora de um coração que fala aquela tal língua que muitos estudam mas poucos entendem. Poderia falar de coisas complicadamente simples tais como o elevado grau de apetecibilidade denunciado pela tua forma esteticamente interessante e intelectualmente estimulante de ser. E neste caso, o coração franziria o sobrolho, como quem acha que o intérprete anda ali a meter os pés pelas mãos, quando afinal o que ele quer é transmitir o que é dito de uma maneira mais eloquente e prestigiada. Não compliquemos de facto as coisas. És muito para mim, e quero que sejas ainda mais. Sem adjectivos, porque na verdade eles se perderam na tal tradução. Só quero que sejas muito mais esse muito, que o coração discurse sem parar e tanto e com tanto de si que a razão desista de se intrometer e se retire do outro palanque, por não haver, na verdade, palavras que valham. E na verdade, eu quero que esse muito seja ainda mais muito e ainda melhor. E quero não conseguir explicá-lo nunca. Desde quando é que se explica o que não se pode entender?

Quero só que sejas muito para mim. Como já o és, literalmente.